"Depois de desconversar com algumas palavras, me peguei refletindo sobre essa tal verdade."
quarta-feira, 28 de março de 2012
domingo, 7 de agosto de 2011
O dia 29 de julho de 2011 foi um dia marcante, um dia especial. Foi o dia que eu tive o prazer de conhecer a galera da LUTARTE! O projeto de extensão UFCapoeira junto com a Associação Cultural Capoeira LUTARTE desenvolvem um trabalho maravilhoso de preservação da raiz e tradição da Capoeira. O projeto UFCapoeira trabalha com alunos da própria Universidade, trazendo para o espaço acadêmico a história e tradição da Capoeira como patrimônio brasileiro.
A LUTARTE!
A ASSOCIAÇÃO CULTURAL CAPOEIRA LUTARTE foi fundada em 13 de Dezembro de 2007 pelo Contra-Mestre Rato Pardo (Reginaldo de Araújo Martins) e seus principais alunos.
A Associação Capoeira Lutarte tem por principal finalidade a preservação da raiz e tradição da Capoeira, pois acredita que com a continuidade de suas tradições, seremos fiéis às suas origens, e ainda assim, sempre atuais. Fatores como a manutenção do fundamento e do comportamento em cada jogo de Capoeira, o resgate dos movimentos da cintura desprezada dentro do jogo de Iuna da Capoeira Regional de Mestre Bimba, a preservação das tradições da Capoeira do estado do Ceará e o respeito à vivência do verdadeiro Mestre de Capoeira são primordiais para a sobrevivência de suas raízes, o que é de fundamental importância para nossa arte, que, desde o princípio, foi transmitida às gerações através da oralidade. Daí a necessidade de valorização do conhecimento do mais velho, sem o qual não teremos referências ancestrais. A Capoeira Lutarte acredita que a arte por ela praticada é uma valiosa ferramenta de educação e inclusão social, pois direciona todos os seus esforços no sentido de incluí-la nas escolas e instituições educacionais, de maneira que nosso povo tenha, desde o início, um contato real e profundo com a Capoeira, podendo compreendê-la em sua plenitude e, conseqüentemente, respeitá-la.
Outra tradição que a Associação procura resgatar são as rodas de rua, que por terem sido, desde o início, acontecimentos permanentes no contexto da Capoeira, têm de ser preservados. A Associação pretende contribuir permanentemente, de maneira incisiva, para que Capoeira alcance o patamar merecido, tendo como principais objetivos, além da constante divulgação, o devido reconhecimento de sua importância por parte da sociedade e, principalmente, a valorização da cultura popular, já que a Capoeira é um patrimônio de nossa nação.
domingo, 3 de julho de 2011
Macramê: a arte dos nós!
Olá galera!
Quanto tempo, hein?! Faculdade dando o maior trabalho, finalmente férias, voltei a blogar! Como não fui viajar por causa de pendências profissionais, acabei me dedicando a novas atividades nessas esperadas férias e, com certeza, uma das atividades mais deliciosas e relaxantes que já tive a oportunidade de conhecer foi o MACRAMÊ. Ainda sou iniciante na arte, mas já sei o bastante pra afirmar como é maravilhoso aprender MACRAMÉ. Mas o que é isso?
Com certeza todos vocês já tiveram contato com alguma coisa feita através dessa arte. Esta nada mais é que a ARTE DOS NÓS. Com ela podemos fazer diversos objetos, pulseiras, colares, bolsas, brincos, tornozeleiras, anéis, decoração em sandálias, toalhas etc. É muito comum vermos trabalhos em MACRAMÊ nas grandes cidades, nas tendas hippies, esses profissionais que trabalham com seu artesanato de maneira nômade, viajando pelo país com sua obra. Se liguem ai na história da arte dos nós!
O MACRAMÊ é uma técnica de tecer fios que não utiliza nenhum tipo de maquinaria ou ferramenta.
É uma forma de tecelagem manual. Trabalhando com os dedos, os fios vão se cruzando e ficam presos por nós, formando cruzamentos geométricos, franjas e uma infinidade de formas decorativas.
A palavra macramé significa "nó". Há versões que dizem que a palavra vem do árabe, outras do turco, outras ainda do francês. Mais provavel é a origem do árabe migramah, que significa franja ornamental. Com a conquista da Península Ibérica, a técnica foi introduzida na Espanha e depois por toda a Europa. É uma arte que se originou na pré-história, quando o homem aprendeu a amarrar fibras para se agasalhar e criar objectos. Foi difundida no mundo por marinheiros que utilizavam a técnica para criar objetos marítimos que permutavam nos locais onde desembarcavam.
Até hoje a arte de dar nós é muito apreciada pela habilidade do artesão e delicadeza do trabalho.
domingo, 8 de maio de 2011
Blues e Mitos: Pactos, Cães do Inferno e o caso Robert Johnson.
A maioria de nós em algum momento da vida já deve ter escutado o blues, mesmo que não goste do estilo, é quase impossível não ter um amigo, vizinho ou colega que não 'curta' esse som. Muitos já ouviram lendas como Little Walter, Sonny Boy, Muddy Waters e o tema desse post ROBERT JOHNSON. Muitos mitos e lendas cercam o mundo do blues e seus integrantes, um dos mais conhecidos é o do suposto pacto que Robert fez com o demônio pra conseguir ser um grande guitarrista. Mas antes de falarmos mais disso, vamos falar um pouco da biografia de Robert Johnson.
Johnson nasceu em Hazlehurst, Mississippi. Sua data de nascimento oficialmente aceita (1911) provavelmente está errada. Registros existentes (documentos escolares, certidões de casamento e certidão de óbito) sugerem diferentes datas entre 1909 e 1912, embora nenhum contenha a data de 1911.Robert Johnson gravou apenas 29 músicas em um total de 41 faixas, em duas sessões de gravação em San Antonio, Texas, em Novembro de 1936 e em Dallas, Texas, em Junho de 1937. Treze músicas foram gravadas duas vezes. Suas músicas continuam sendo interpretadas e adaptadas por diversos artistas, como Eric Clapton, The Rolling Stones, The Blues Brothers, Red Hot Chili Peppers e The White Stripes.
Em 1938 durante uma apresentação no bar "Tree Forks" Johnson bebeu whisky envenenado com estricnina, supostamente preparado pelo dono do bar, o qual estava enciumado por Jonhson ter flertado com sua mulher. Sonny Boy Williamson, que estava tocando junto com Jonhson, havia alertado-o sobre o whisky, porém este não lhe deu atenção. Johnson se recuperou do envenenamento, mas contraiu pneumonia e morreu 3 dias depois, em 16 de Agosto de 1938, em Greenwood, Mississippi. Há várias versões populares para sua morte: que haveria morrido envenenado pelo whisky, que haveria morrido de sífilis e que havia sido assassinado com arma de fogo. Seu certificado de óbito cita apenas "No Doctor" (Sem Médico) como causa da morte.
Voltando ao assunto do post, Robert tem sua história cercada por mitos, não se sabe ao certo como foi sua morte, mas o mais sinistro deles é o de que ele fez um pacto com o 'coisa ruim'. Muitas das canções de Johnson deixam 'pistas' de que ele realmente fez o tal pacto. Canções como Me and The Devil Blues, que significa algo parecido com 'Eu e o Demônio Blues', outras canções como Crossroads Blues, que seria o 'Blues da Encruzilhada' e a mais sinistra de todas Hellhound on my trail, esta significa algo como 'Cão do Inferno atrás de mim' ou 'Cão do inferno no meu caminho'.
Todas essas canções do Johnson trazem uma referência sobre coisas do oculto, encruzilhadas, pactos, diabo, cães do inferno etc.
Todas elas contribuíram para que a lenda do pacto adquirisse cada vez mais força.
Bem, se é verdade ou não eu não sei, mas concordo que as letras deixam uma 'coisa no ar'
rsrsrsrsrsrsrs...
sábado, 30 de abril de 2011
Gaita
História da Gaita
A gaita ou Harmônica como nós a conhecemos hoje, foi inventada na Alemanha no Século XVIII.Contudo o conceito de um instrumento com palhetas livres possa ser encontrado há milhões de anos na China e sudeste da Ásia.
Foi em Berlim, em 1821, que Friedrich Bushman, aos 16 anos inventou a AURA, para estudar a influência da corrente de ar no som. Sua invenção era essencialmente um conjunto de quinze diapasões, todas notas sopradas, conectadas a uma armação de metal.
Alguns anos depois, um produtor de instrumentos em Bohemia, chamado Richter, melhorou o design da desajeitada Aura. Ele fez uma estrutura de 20 notas, dentro de dez orificios, ou seja, 10 notas sopradas e 10 notas aspiradas, estas mudanças somado a estrutura do instrumento foi verdadeiramente a primeira gaita ou harmônica como nós a conhecemos hoje.
Em 1827, um relojoeiro chamado Christian Messner começou a fazer harmônicas como uma linha opcional, na pequena cidade de Trossing, Alemanha.Em breve vários outros relojoeiros da área, muitos deles parentes de Messner, estavam tambem produzindo harmônicas como um negócio opcional.
Mas nesta mesma cidade, um jovem relojoeiro de 24 anos chamado Mattias Hohner, resolveu produzir harmônicas como seu principal negócio, produzindo assim 650 instrumentos no primeiro ano. O que distinguia Hohner dos outros fabricantes daquela época era a alta qualidade dos instrumentos aliada a uma grande visão de marketing, pois todas as gaitas fabricadas por ele tinham sua marca estampada.
Em 1888 as gaitas Hohner foram para os EUA e foram largamente distribuídas sem dúvida por serem baratas, pequenas e fáceis de se tocar. Talvez por essa razão, elas foram tão bem recebidas entre a população negra. Ainda hoje a Hohner é o mais influente fabricante de gaitas, já tendo produzido cerca de 1.500 modelos diferentes de harmônicas. O mais caro foi fabricado fora de série, especialmente para o Papa Pio XI, todas as peças de metal, com exceção das palhetas eram de ouro maciço. Um dos modelos mais curiosos era acompanhado de um cordão para que os africanos, que não usam bolsos, pudessem pendurá-las no pescoço.
No Brasil, a história da gaita começa em agosto de 1923, um imigrante alemão chamado Alfred Hering, fundou a empresa Gaitas Alfred Hering em Blumenau - Santa Catarina, e começou a produzir as Harmônicas Hering.
Após a morte do Sr. Hering, em meados de 1960, a empresa foi vendida para M. Hohner Company, de Trossing, Alemanha. Muita tecnologia foi trazida da Alemanha e introduzida no Brasil, melhorando assim cada vez mais a qualidade do instrumento.Em 1979, um grupo de brasileiros comprou a Hering e M. Hohner deixou o Brasil.
Foi em Berlim, em 1821, que Friedrich Bushman, aos 16 anos inventou a AURA, para estudar a influência da corrente de ar no som. Sua invenção era essencialmente um conjunto de quinze diapasões, todas notas sopradas, conectadas a uma armação de metal.
Alguns anos depois, um produtor de instrumentos em Bohemia, chamado Richter, melhorou o design da desajeitada Aura. Ele fez uma estrutura de 20 notas, dentro de dez orificios, ou seja, 10 notas sopradas e 10 notas aspiradas, estas mudanças somado a estrutura do instrumento foi verdadeiramente a primeira gaita ou harmônica como nós a conhecemos hoje.
Em 1827, um relojoeiro chamado Christian Messner começou a fazer harmônicas como uma linha opcional, na pequena cidade de Trossing, Alemanha.Em breve vários outros relojoeiros da área, muitos deles parentes de Messner, estavam tambem produzindo harmônicas como um negócio opcional.
Mas nesta mesma cidade, um jovem relojoeiro de 24 anos chamado Mattias Hohner, resolveu produzir harmônicas como seu principal negócio, produzindo assim 650 instrumentos no primeiro ano. O que distinguia Hohner dos outros fabricantes daquela época era a alta qualidade dos instrumentos aliada a uma grande visão de marketing, pois todas as gaitas fabricadas por ele tinham sua marca estampada.
Em 1888 as gaitas Hohner foram para os EUA e foram largamente distribuídas sem dúvida por serem baratas, pequenas e fáceis de se tocar. Talvez por essa razão, elas foram tão bem recebidas entre a população negra. Ainda hoje a Hohner é o mais influente fabricante de gaitas, já tendo produzido cerca de 1.500 modelos diferentes de harmônicas. O mais caro foi fabricado fora de série, especialmente para o Papa Pio XI, todas as peças de metal, com exceção das palhetas eram de ouro maciço. Um dos modelos mais curiosos era acompanhado de um cordão para que os africanos, que não usam bolsos, pudessem pendurá-las no pescoço.
No Brasil, a história da gaita começa em agosto de 1923, um imigrante alemão chamado Alfred Hering, fundou a empresa Gaitas Alfred Hering em Blumenau - Santa Catarina, e começou a produzir as Harmônicas Hering.
Após a morte do Sr. Hering, em meados de 1960, a empresa foi vendida para M. Hohner Company, de Trossing, Alemanha. Muita tecnologia foi trazida da Alemanha e introduzida no Brasil, melhorando assim cada vez mais a qualidade do instrumento.Em 1979, um grupo de brasileiros comprou a Hering e M. Hohner deixou o Brasil.
Todo sopro que apaga uma chama reacende o que for pra ficar.
Veio de manhã molhar os pés na primeira onda
Abriu os braços devagar e se entregou ao vento
O sol veio avisar que de noite ele seria a lua,
Pra poder iluminar Ana, o céu e o mar
Sol e vento, dia de casamento
Vento e sol, luz apagada no farol
Sol e chuva, casamento de viúva
Chuva e sol, casamento de espanhol
Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as conchas mais belas
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar
Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar
Ana e o mar... mar e Ana
Histórias que nos contam na cama
Antes da gente dormir
Ana e o mar... mar e Ana
Todo sopro que apaga uma chama
Reacende o que for pra ficar
Quando Ana entra n'água
O sorriso do mar drugada se estende pro resto do mundo
Abençoando ondas cada vez mais altas
Barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
Desse novo amor... Ana e o mar
Abriu os braços devagar e se entregou ao vento
O sol veio avisar que de noite ele seria a lua,
Pra poder iluminar Ana, o céu e o mar
Sol e vento, dia de casamento
Vento e sol, luz apagada no farol
Sol e chuva, casamento de viúva
Chuva e sol, casamento de espanhol
Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as conchas mais belas
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar
Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar
Ana e o mar... mar e Ana
Histórias que nos contam na cama
Antes da gente dormir
Ana e o mar... mar e Ana
Todo sopro que apaga uma chama
Reacende o que for pra ficar
Quando Ana entra n'água
O sorriso do mar drugada se estende pro resto do mundo
Abençoando ondas cada vez mais altas
Barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
Desse novo amor... Ana e o mar
domingo, 17 de abril de 2011
"Não, você não sabe, você não sabe como tentei me interessar pelo desinteressantíssimo".
"Desculpa, digo, mas se eu não tocar você agora vou perder toda a naturalidade, não conseguirei dizer mais nada, não tenho culpa, estou apenas me sentindo sem controle, não me entenda mal, não me entenda bem, é só esta vontade quase simples de estender o braço para tocar você, faz tempo demais que estamos aqui parados conversando nesta janela, já dissemos tudo que pode ser dito entre duas pessoas que estão tentando se conhecer, tenho a sensação impressão ilusão de que nos compreendemos, agora só preciso estender o braço e, com a ponta dos meus dedos, tocar você, natural que seja assim: o toque, depois da compreensão que conseguimos, e agora.
Não diz nada, você não diz nada. Apenas olha para mim, sorri. Quanto tempo dura? Faz pouco despencou uma estrela e fizemos, ao mesmo tempo e em silêncio, um pedido, dois pedidos. Pedi para saber tocá-lo. Você não me conta seus desejos. Sorri com os olhos, com a mesma boca que mais tarde, um dia, depois daqui, poderá me dizer: não. Há uma espécie de heroísmo então quando estendo o braço, alongo as mãos, abro os dedos e brota. Toco. Perto da minha a boca se entreabre lenta, úmida, cigarro, chiclete, conhaque, vermelha, os dentes se chocam, leve rufdo, as línguas se misturam. Naufrago em tua boca, esqueço, mastigo tua saliva, afundo. Escuridão e umidade, calor rijo do teu corpo contra a minha coxa, calor rijo do meu corpo contra a tua coxa. Amanhã não sei, não sabemos.
Pensei em você. Eram exatamente três da tarde quando pensei em você.
Sei porque sacudi a cabeça como se você fosse uma tontura dentro dela e olhei o digital no meio da avenida.
Corre, corre, O número do telefone dissolvendo-se em tinta na palma da mão suada. Ah, no fim destes dias crispados de início de primavera, entre os engarrafamentos de trânsito, as pessoas enlouquecidas e a paranóia à solta pela cidade, no fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, no que resta de cabelos na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta e você me leva para Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem, O telefone toca três vezes. Isto é uma gravação deixe seu nome e telefone depois do bip que eu ligo assim que puder, 0K?
O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias. Não tomo banho. Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu. E basta fechar os olhos para naufragar outra vez e cada vez mais fundo na tua boca. Abismos marinhos, sargaços. Minhas mãos escorrem pelo teu peito. Gramados batidos de sol, poços claros. Alguma coisa então pára, todas as coisas param. Os automóveis nas ruas, os relógios nas paredes, as pessoas nas casas, as estrelas que não conseguimos ver aqui do fundo da cidade escura. Olho no poço do teu olho escuro, meia-noite em ponto. Quero fazer um feitiço para que nada mais volte a andar. Quero ficar assim, no parado. Sei com medo que o que trouxe você aqui foi esse meu jeito de ir vivendo como quem pula poças de lama, sem cair nelas, mas sei que agora esse jeito se despedaça. Torre fulminada, o inabalável vacila quando começa a brotar de mim isso que não está completo sem o outro. Você assopra na minha testa. Sou só poeira, me espalho em grãos invisíveis pelos quatro cantos do quarto. Fico noite, fico dia. Fico farpa, sede, garra, prego. Fico tosco e você se assusta com minha boca faminta voraz desdentada de moleque mendigo pedindo esmola neste cruzamento onde viemos dar.
A cidade está louca, você sabe. A cidade está doente, você sabe. A cidade
está podre, você sabe. Como posso gostar limpo de você no meio desse doente podre louco? Urbanóides cortam sempre meu caminho à procura de cigarros, fósforos, sexo, dinheiro, palavras e necessidades obscuras que não chego a decifrar em seus olhos semafóricos. Tenho pressa, não podemos perder tempo. Como chamar agora a essa meia dúzia de toques aterrorizados pela possibilidade da peste? (Amor, amor certamente não.) Como evitaremos que nosso encontro se decomponha, corrompa e apodreça junto com o louco, o doente, o podre? Não evitaremos. Pois a cidade está podre, você sabe. Mas a cidade está louca, você sabe. Sim, a cidade está doente, você sabe. E o vírus caminha em nossas veias, companheiro.
Fala fala fala. Estou muito cansado. Já não identifico nenhuma palavra no que diz. Apenas me deixo embalar pelo ritmo de sua voz, dentro dessa melodia monótona angustiada perplexa repetitiva. Quase três da manhã. Não temos aonde ir, nunca tivemos aonde ir. Um nojo, vezenquando me dá um asco — nojo é culpa, nojo é moral —você se sente sórdido, baby? — eu tenho medo, não quero correr riscos — mas agora só existe um jeito e esse jeito é correr o risco — não é mais possível — vamos parar por aqui — quero acordar cedo, fazer cooper no parque, parar de beber, parar de fumar, parar de sentir — estou muito cansado — não faz assim, não diz assim — é muito pouco — não vai dar certo — anormal, eu tenho medo — medo é culpa, medo é moral — não vê que é isso que eles querem que você sinta? medo, culpa, vergonha — eu aceito, eu me contento com pouco — eu não aceito nada nem me contento com pouco — eu quero muito, eu quero mais, eu quero tudo.
Eu quero o risco, não digo. Nem que seja a morte. (...)
Foi em abril dirá, abril ou maio. Ou setembro, outubro. Os mais cruéis dos meses. Tanto faz, já não importará depois de tanto tempo, numa cidade remota. (...) Não temos culpa, tentei. Tentamos."
Pensei em você. Eram exatamente três da tarde quando pensei em você.
Sei porque sacudi a cabeça como se você fosse uma tontura dentro dela e olhei o digital no meio da avenida.
Corre, corre, O número do telefone dissolvendo-se em tinta na palma da mão suada. Ah, no fim destes dias crispados de início de primavera, entre os engarrafamentos de trânsito, as pessoas enlouquecidas e a paranóia à solta pela cidade, no fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, no que resta de cabelos na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta e você me leva para Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem, O telefone toca três vezes. Isto é uma gravação deixe seu nome e telefone depois do bip que eu ligo assim que puder, 0K?
O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias. Não tomo banho. Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu. E basta fechar os olhos para naufragar outra vez e cada vez mais fundo na tua boca. Abismos marinhos, sargaços. Minhas mãos escorrem pelo teu peito. Gramados batidos de sol, poços claros. Alguma coisa então pára, todas as coisas param. Os automóveis nas ruas, os relógios nas paredes, as pessoas nas casas, as estrelas que não conseguimos ver aqui do fundo da cidade escura. Olho no poço do teu olho escuro, meia-noite em ponto. Quero fazer um feitiço para que nada mais volte a andar. Quero ficar assim, no parado. Sei com medo que o que trouxe você aqui foi esse meu jeito de ir vivendo como quem pula poças de lama, sem cair nelas, mas sei que agora esse jeito se despedaça. Torre fulminada, o inabalável vacila quando começa a brotar de mim isso que não está completo sem o outro. Você assopra na minha testa. Sou só poeira, me espalho em grãos invisíveis pelos quatro cantos do quarto. Fico noite, fico dia. Fico farpa, sede, garra, prego. Fico tosco e você se assusta com minha boca faminta voraz desdentada de moleque mendigo pedindo esmola neste cruzamento onde viemos dar.
A cidade está louca, você sabe. A cidade está doente, você sabe. A cidade
está podre, você sabe. Como posso gostar limpo de você no meio desse doente podre louco? Urbanóides cortam sempre meu caminho à procura de cigarros, fósforos, sexo, dinheiro, palavras e necessidades obscuras que não chego a decifrar em seus olhos semafóricos. Tenho pressa, não podemos perder tempo. Como chamar agora a essa meia dúzia de toques aterrorizados pela possibilidade da peste? (Amor, amor certamente não.) Como evitaremos que nosso encontro se decomponha, corrompa e apodreça junto com o louco, o doente, o podre? Não evitaremos. Pois a cidade está podre, você sabe. Mas a cidade está louca, você sabe. Sim, a cidade está doente, você sabe. E o vírus caminha em nossas veias, companheiro.
Fala fala fala. Estou muito cansado. Já não identifico nenhuma palavra no que diz. Apenas me deixo embalar pelo ritmo de sua voz, dentro dessa melodia monótona angustiada perplexa repetitiva. Quase três da manhã. Não temos aonde ir, nunca tivemos aonde ir. Um nojo, vezenquando me dá um asco — nojo é culpa, nojo é moral —você se sente sórdido, baby? — eu tenho medo, não quero correr riscos — mas agora só existe um jeito e esse jeito é correr o risco — não é mais possível — vamos parar por aqui — quero acordar cedo, fazer cooper no parque, parar de beber, parar de fumar, parar de sentir — estou muito cansado — não faz assim, não diz assim — é muito pouco — não vai dar certo — anormal, eu tenho medo — medo é culpa, medo é moral — não vê que é isso que eles querem que você sinta? medo, culpa, vergonha — eu aceito, eu me contento com pouco — eu não aceito nada nem me contento com pouco — eu quero muito, eu quero mais, eu quero tudo.
Eu quero o risco, não digo. Nem que seja a morte. (...)
Foi em abril dirá, abril ou maio. Ou setembro, outubro. Os mais cruéis dos meses. Tanto faz, já não importará depois de tanto tempo, numa cidade remota. (...) Não temos culpa, tentei. Tentamos."
Caio Fernando Abreu
domingo, 20 de março de 2011
12 de Março: dia do BIBLIOTECÁRIO!
Post tá atrasado, mas vale a intenção!
Um pouco sobre a história dessa data.
A data foi instituida em homenagem ao engenheiro e bibliotecário Manuel Bastos Tigre, que nasceu em 12 de março de 1882 e, ao terminar o curso de Engenharia, em 1906, resolveu fazer aperfeiçoamento em eletricidade, nos Estados Unidos. Uma vez lá, conheceu o bibliotecário Melvil Dewey, que instituiu o Sistema de Classificação Decimal.
O encontro foi decisivo para Manuel, pois em 1915, aos 33 anos de idade, abandonou a engenharia para trabalhar com biblioteconomia.
Ele prestou concurso para bibliotecário do Museu Nacional do Rio de Janeiro e se classificou em primeiro lugar, com o estudo sobre a Classificação Decimal.
Transferido em 1945 para a Biblioteca Nacional, onde ficou até 1947, assumiu depois a direção da Biblioteca Central da Universidade do Brasil, na qual trabalhou, mesmo depois de aposentado, ao lado do Reitor da instituição, Professor Pedro Calmon de Sá.
O encontro foi decisivo para Manuel, pois em 1915, aos 33 anos de idade, abandonou a engenharia para trabalhar com biblioteconomia.
Ele prestou concurso para bibliotecário do Museu Nacional do Rio de Janeiro e se classificou em primeiro lugar, com o estudo sobre a Classificação Decimal.
Transferido em 1945 para a Biblioteca Nacional, onde ficou até 1947, assumiu depois a direção da Biblioteca Central da Universidade do Brasil, na qual trabalhou, mesmo depois de aposentado, ao lado do Reitor da instituição, Professor Pedro Calmon de Sá.
Chega uma fase da vida...
Olá!
Galera, tô aqui pra dar uma satisfação da minha ausência no blog. Faz tempo que não escrevo nada, né?rsrsrsrs...Mas como o título do post sugere, chega uma fase da vida que você precisa se dedicar a um processo muito importante, a um nascimento, a elaboração da sua MONOGRAFIA. Isto mesmo, a universitária séria e responsável que há em mim agora se dedica a leitura de livros, artigos, sites e outras fontes de informação para adquirir conhecimentos para comecar a sua querida monografia. Devido a este motivo, ficarei 'sumida' por algum tempo do blog, mas não vou abandonar isso aqui JAMAIS! Apenas só postarei algumas poucas vezes, quando achar um tempinho nessa minha vida agitada. E aproveitando a vibe, quem quiser comentar sobre isso, se você também tá passando por essa fase sinistra da vida acadêmica, posta ai um comentário! Fala um pouco sobre tuas expectativas, desabafe sua angústia!rsrsrsrsrs...é isso ai, galera!A gente se fala por aqui qualquer hora. Boa sorte pra todos nós!
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Pensar é um ato, sentir é um fato.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca."
Ou toca, ou não toca."
Quais melhores palavras pra definir essa escritora maravilhosa que inspirou e prestigiou todos nós com sua existência? Clarice Lispector! Deixo aqui minha homenagem à ela, esta maravilhosa mulher que de tão intensa e entregue aos seus sentimentos, me fez sentir na pele, nos ossos, quase como almas gêmeas, sentir através de suas palavras, todo o amor, a paixão, a dor e a tristeza nos escritos de Clarice.E me identifiquei várias vezes, como se lá no fundo compartilhassemos da mesma dor, da mesma angústia e mesma alegria...quase pensei que éramos irmãs de tão parecidas...e cheguei a pensar: com que direito, com que direito essa estranha vem e rouba pra ela as minhas dores?Como ela pode saber mesmo tendo vivido em época diferente da minha, como ela se atreve a saber assim tão profundamente tudo que se passa dentro de mim? Espíritos femininos, coisa de mulher...sei lá!Só sei que não se pode entender Clarice, o que podemos fazer é apenas sentir Clarice. Vamos arder, arder, flamejar, pois antes que tudo isso acabe...amo-te Clarice Lispector!!!!
Pequena Biografia de Clarice
Clarice Lispector (Tchetchelnik Ucrânia 1925 - Rio de Janeiro RJ 1977) passou a infância em Recife e em 1937 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em direito. Estreou na literatura ainda muito jovem com o romance Perto do Coração Selvagem (1943), que teve calorosa acolhida da crítica e recebeu o Prêmio Graça Aranha.
Em 1944, recém-casada com um diplomata, viajou para Nápoles, onde serviu num hospital durante os últimos meses da Segunda Guerra. Depois de uma longa estada na Suíça e Estados Unidos, voltou a morar no Rio de Janeiro. Entre suas obras mais importantes estão as reuniões de contos A Legião Estrangeira (1964) e Laços de Família (1972) e os romances A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977).
Clarice Lispector começou a colaborar na imprensa em 1942 e, ao longo de toda a vida, nunca se desvinculou totalmente do jornalismo. Trabalhou na Agência Nacional e nos jornais A Noite e Diário da Noite. Foi colunista do Correio da Manhã e realizou diversas entrevistas para a revista Manchete. A autora também foi cronista do Jornal do Brasil. Produzidos entre 1967 e 1973, esses textos estão reunidos no volume A Descoberta do Mundo.
Escreve a crítica francesa Hélène Cixous: "Se Kafka fosse mulher. Se Rilke fosse uma brasileira judia nascida na Ucrânia. Se Rimbaud tivesse sido mãe, se tivesse chegado aos cinqüenta. (...). É nessa ambiência que Clarice Lispector escreve. Lá onde respiram as obras mais exigentes, ela avança. Lá, mais à frente, onde o filósofo perde fôlego, ela continua, mais longe ainda, mais longe do que todo o saber".
Em 1944, recém-casada com um diplomata, viajou para Nápoles, onde serviu num hospital durante os últimos meses da Segunda Guerra. Depois de uma longa estada na Suíça e Estados Unidos, voltou a morar no Rio de Janeiro. Entre suas obras mais importantes estão as reuniões de contos A Legião Estrangeira (1964) e Laços de Família (1972) e os romances A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977).
Clarice Lispector começou a colaborar na imprensa em 1942 e, ao longo de toda a vida, nunca se desvinculou totalmente do jornalismo. Trabalhou na Agência Nacional e nos jornais A Noite e Diário da Noite. Foi colunista do Correio da Manhã e realizou diversas entrevistas para a revista Manchete. A autora também foi cronista do Jornal do Brasil. Produzidos entre 1967 e 1973, esses textos estão reunidos no volume A Descoberta do Mundo.
Escreve a crítica francesa Hélène Cixous: "Se Kafka fosse mulher. Se Rilke fosse uma brasileira judia nascida na Ucrânia. Se Rimbaud tivesse sido mãe, se tivesse chegado aos cinqüenta. (...). É nessa ambiência que Clarice Lispector escreve. Lá onde respiram as obras mais exigentes, ela avança. Lá, mais à frente, onde o filósofo perde fôlego, ela continua, mais longe ainda, mais longe do que todo o saber".
domingo, 30 de janeiro de 2011
O meu nordeste é lindo!!!!
Gente, eu precisava. Eu tinha que confessar o meu enorme amor pelo meu Nordeste, afinal, lugar mais lindo, mais cheio de vida e alegria não existe nesse país. Já conheci cidades de outros cantos do Brasil e sinceramente não achei lugar mais maravilhoso do que essa terrinha aqui que Deus nos deu. Povo hospitaleiro, alegre, que transpira felicidade, guerreiro por natureza, já nasceu lutando e amando à vida, assim são as pessoas desse meu nordeste. E sem falar nas comidas, na natureza, nossas praias, nossa beleza natural que cada vez mais me fascina. É isso, estou pra dizer em alto e bom tom que: EU AMO MEU NORDESTE!!!!!!!!!!!
Dica de filme: A rede Social
Em uma noite de outono em 2003, Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), analista de sistemas graduado em Harvard, se senta em seu computador e começa a trabalhar em uma nova ideia. Apenas seis anos e 500 milhões de amigos mais tarde, Zuckerberg se torna o mais jovem bilionário da história com o sucesso da rede social Facebook. O sucesso, no entanto, o leva a complicações em sua vida social e profissional. O filme além de tratar do surgimento da rede social Facebook, fala de toda uma nova geração que mudou o mundo através da internet. E de como o surgimento das redes sociais mudaram conceitos, acabaram com as fronteiras de tempo e espaço, nos tornou mais conectados e globalizados nessa sociedade pós-moderna. O filme basicamente se passa em uma batalha judicial quando Mark é acusado de roubar a idéia do Facebook de outros estudantes de Havard, dentro desse contextos vemos a ascenção do Facebook como a rede social mais badalada e popular do momento, assim como os conflitos e a trajetória de Mark como criador da Rede Social.Vi o filme e recomendo, realmente muito bom. Assistam!
Link para Download do filme:
http://www.baixebem.com/search?q=a+rede+socialterça-feira, 25 de janeiro de 2011
Eu não sou um bom lugar.
O dia estava cinza. O frio que a chuva trouxe só piorava tudo. Eu já tinha perdido a conta de quantas vezes aquela cena se repetia. Eu subia pro quarto. Calada, quase silenciada pela minha dor, deitava e chorava, chorava até não conseguir mais. Como se precisasse desesperadamente colocar aquilo tudo pra fora de alguma maneira. Se você é do tipo que sofre em silêncio, que não compartilha sua dor com ninguém, que vai chorar sozinho no quarto, então você corre um sério risco de se tornar uma bomba prestes a explodir. Você guarda, guarda e guarda toda sua angústia dentro de você e já se acostumou a ser sozinha, a estar sempre sozinha, mas não me refiro somente à solidão física, de não ter ninguém perto fisicamente. Gente perto de mim tem, mas acho que a minha dor é tão grande que não faço mais ou talvez nunca tenha feito essas pessoas felizes. Hoje eu me vi sozinha, chorando no quarto, cheia de tudo. E percebi que eu jamais serei uma filha tão boa quanto a minha irmã, que jamais serei a melhor amiga de ninguém. Sim, eu as amo. Mas acho que estou tão infeliz e inconformada com a minha vida que acabo por magoá-las, feri-las, pois eu mesma me encontro assim. O que está acontecendo comigo? Deus, alguém me responda! Isso me faz sentir culpada, mal agradecida pelas coisas que tenho. Eu tenho saúde, tenho uma família que amo, nunca passei fome e tenho um lar. Eu não deveria agradecer? Sentir-me feliz por isso? É, mas porque eu não consigo me conformar só com isso pra ser feliz? Isso faz eu me sentir tão egoísta! Eu queria estar feliz, mas eu não estou. Esse desespero e esse pensamento de que eu não sou daqui não saem de dentro de mim. Tão magoada. Decepcionei-me comigo, com a vida, com meus amigos e com meus amores. E passei a duvidar disso tudo. Hoje mais uma vez eu percebo que talvez eu não seja um bom lugar, nem pra mim, nem pra você e nem pra ninguém.
Daiana Rolim.
Cem anos de Solidão.
Apesar de vivermos na época em que está na moda ler sobre vampiros que evitam beber sangue humano e que brilham quando expostos à luz do sol, posso dizer que já produzimos obras realmente grandiosas e espetaculares. Sinto falta de obras assim e anseio que às vezes parece que não voltaremos mais a ter livros como antigamente. Uma ou outra vez surge alguém que me afasta dessa realidade cruel, autores jovens e atuais que buscam no passado referência para se fazer ler com qualidade. Dentre essas obras inspiradoras e que jamais serão feitas iguais destaco o livro que mais me marcou na vida, o livro que não conseguia parar de ler, que me fez dedicar horas do meu dia à sua leitura, que me fez perder o sono, me apaixonar por cada um de seus personagens. Este livro é Cem anos de Solidão.
Um comboio carregado de cadáveres. Uma população inteira que perde a memória. Mulheres que se trancam por décadas numa casa escura. Homens que arrastam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas. Uma menina que comia terra e desenhava com suas fezes desenhos nas paredes. Um lugar mágico e cheio de histórias fantásticas e personagens únicos. São esses alguns dos elementos que compõem o exuberante universo deste romance, no qual se narra a mítica história da cidade de Macondo e de seus inesquecíveis habitantes. Lançado em 1967, Cem Anos de Solidão é tido, por consenso, como uma das obras-primas da literatura latino-americana moderna. O livro logo tornou o colombiano Gabriel García Márquez (1928) uma celebridade mundial; quinze anos depois, em 1982, ele receberia o Prêmio Nobel de Literatura. Aqui o leitor acompanhará as vicissitudes da numerosa descendência da família Buendía ao longo de várias gerações. Todos em luta contra uma realidade truculenta, excessiva, sempre à beira da destruição total. Todos com as paixões à flor da pele. E termino dizendo que fiz pouco, muito pouco, pois não existem palavras capazes de definir a grandeza e beleza dessa obra.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
O Paradoxo do Nosso Tempo.
Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados,lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente. Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos. Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço mas não o nosso próprio. Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar e não, a esperar. Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos. Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias. Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas". Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa. Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'. Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Lembre-se dar um abraço carinhoso num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer. Lembre-se de dizer "eu te amo" à sua companheira(o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, se ame... se ame muito. Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm lá de dentro. O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas Amar tudo que você tem! Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado sempre.
George Carlin
domingo, 23 de janeiro de 2011
Ciência e Saúde: a síndrome da mão alheia.
Gente, to postando essa matéria aqui porque achei muito curioso e um pouco assustador. Nunca ouvi falar nessa doença e acredito que a maioria de vocês também não. Levando um pouco na brincadeira, depois dessa muita gente por aí vai usar mais ainda a desculpa da mão boba, aquela que "inconscientemente' faz coisas sem que queiramos. Leiam a matéria, é super interessante!
Síndrome rara fez americana ser atacada pela própria mão
Karen Byrne sofreu por 18 anos com síndrome após cirurgia para tratar epilepsia que dividiu seus hemisférios cerebrais.
Síndrome da Mão Alheia faz com que as mãosatuem de forma aleatória. (Foto: BBC)
Imagine ser atacado por uma de suas próprias mãos, que tenta repetidamente estapear e socar você. Ou então entrar em uma loja e tentar virar à direita e perceber que uma de suas pernas decide que quer ir para a esquerda, fazendo-o andar em círculos. Essa realidade é bem conhecida da americana Karen Byrne, de 55 anos, que sofre de uma condição rara chamada Síndrome da Mão Alheia.
A síndrome de Byrne é fascinante, não somente por ser tão estranha, mas também por ajudar a explicar algo surpreendente sobre como nossos cérebros funcionam. O problema começou após ela passar por uma cirurgia, aos 27 anos, para controlar sua epilepsia, que havia dominado sua vida desde seus 10 anos de idade.
A cirurgia para curar a epilepsia normalmente envolve identificar e depois cortar um pequeno pedaço do cérebro no qual os sinais elétricos anormais se originam. Quando isso não funciona, ou quando a área danificada não pode ser identificada, os pacientes precisam passar por uma solução mais radical.
No caso de Byrne, seu cirurgião cortou seu corpo caloso, um feixe de fibras nervosas que mantém os dois hemisférios do cérebro em permanente contato.
Novo problema
O corte do corpo caloso curou a epilepsia de Byrne, mas a deixou com um problema totalmente diferente. Ela conta que inicialmente tudo parecia bem, mas que então os médicos começaram a notar um comportamento extremamente estranho.
"O médico me disse: 'Karen, o que você está fazendo? Sua mão está te despindo'. Até ele dizer isso eu não tinha percebido que minha mão esquerda estava abrindo os botões da minha camisa", diz. "Então eu comecei a abotoar a camisa novamente com a mão direita, mas assim que eu terminei, a mão esquerda começou a desabotoar de novo. Então o médico fez uma chamada de emergência para um outro médico e disse: 'Mike, você precisa vir aqui imediatamente, temos um problema'."
O caso de Karen Byrne foi tema de documentárioda estatal britânica BBC. (Foto: BBC)
Karen Byrne havia saído da operação com uma mão esquerda que estava fora de controle. "Eu acendia um cigarro, colocava-o no cinzeiro e então minha mão esquerda jogava-o fora. Ela tirava coisas da minha bolsa sem que eu percebesse. Perdi muitas coisas até que eu percebesse o que estava acontecendo", diz.
Em alguns casos, a mão esquerda dela chegava a estapeá-la, sem controle. Ela conta que seu rosto chegava a ficar inchado com tantos golpes.
Luta de poder
O problema de Byrne foi provocado por uma luta por poder dentro de sua cabeça. Um cérebro normal é formado por dois hemisférios que se comunicam entre si por meio do corpo caloso.
O hemisfério esquerdo, que controla o braço e a perna direitos, tende a ser onde residem as habilidades linguísticas. O hemisfério direito, que controla o braço e a perna esquerdos, é mais responsável pela localização espacial e pelo reconhecimento de padrões.
Normalmente o hemisfério esquerdo, mais analítico, domina e tem a palavra final nas ações que desempenhamos. A descoberta do domínio hemisférico tem sua raiz nos anos 1940, quando os cirurgiões decidiram começar a tratar a epilepsia com o corte do corpo caloso.
Após a recuperação, os pacientes pareciam normais. Mas nos círculos psicológicos eles se tornaram lendas. Isso porque esses pacientes revelariam, com o tempo, algo que parece incrível - que as duas metades do nosso cérebro têm cada um uma espécie de consciência separada. Cada hemisfério é capaz de ter sua própria vontade independente.
Experiências
O homem que fez muitas das experiências que primeiro provaram essa tese foi o neurobiólogo Roger Sperry. Em um estudo particularmente notável, que ele filmou, é possível ver um dos pacientes com o cérebro dividido tentando resolver um quebra-cabeças. O quebra-cabeças exigia o rearranjo de blocos para que eles correspondessem a padrões em uma imagem.
Primeiro o homem tentou resolver o quebra-cabeças com sua mão esquerda (controlada pelo hemisfério direito), com bastante sucesso. Então Sperry pediu ao paciente que usasse sua mão direita (controlada pelo hemisfério esquerdo). Essa mão claramente não tinha nenhuma ideia de como fazê-lo.
A mão esquerda então tentou ajudar, mas a mão direita parecia não querer ajuda, então elas terminaram brigando como se fossem duas crianças.
Experiências como essa levaram Sperry a concluir que 'cada hemisfério é um sistema de consciência isolado, percebendo, pensando, lembrando, raciocinando, querendo e se emocionando'.
Em 1981 Sperry recebeu um prêmio Nobel por seu trabalho. Mas em uma ironia cruel do destino, ele então já sofria com uma doença degenerativa do cérebro, chamada kuru, provavelmente contraída em seus primeiros anos de pesquisas com cérebros.
Medicação
A maioria das pessoas que tiveram seus corpos calosos cortados parecem normais posteriormente. Você poderia cruzar com eles na rua e não saberia que algo havia acontecido.Karen Byrne teve azar. Após a operação, o lado direito de seu cérebro se recusava a ser dominado pelo lado esquerdo. Ela sofreu com a Síndrome da Mão Alheia por 18 anos, mas felizmente para ela seus médicos encontraram uma medicação que parece ter trazido o lado direito de seu cérebro de volta ao controle.
A história de Byrne foi contada no último programa da série da BBC "The Brain" (O Cérebro), que foi ao ar na Grã-Bretanha na quinta-feira.
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